
A disputa pela presidência da Câmara colocou o PL diante de uma escolha: negociar espaços com Hugo Motta (Republicanos-PB) ou manter oposição independente. A partir de 2027 o partido terá a maior bancada da Casa, com 121 deputados, e a eleição está marcada para 1º de fevereiro.
O que está em jogo
Muito mais que cargos: presidências de comissões, lugares na Mesa Diretora e influência sobre a destinação de bilhões em emendas parlamentares. Pelo regimento, a ordem de escolha das comissões segue a proporcionalidade dos blocos formados na posse. Fora do bloco de Motta, que já reúne o Centrão e a federação de PT, PCdoB e PV, o PL perderia prioridade na escolha, e a CCJ, a comissão mais importante da Casa, ficaria em risco.
O partido dividido
A ala ligada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende o pragmatismo e um acordo com Motta. Do outro lado, Nikolas Ferreira (PL-MG), cotado para presidir a CCJ, disse após a reunião da bancada nesta terça (3) que prefere “abrir mão da CCJ” a apoiar Motta. Zé Trovão (PL-SC) afirmou que, se o partido não lançar nome próprio, registrará candidatura avulsa. Até agora, o PL não anunciou decisão.
O NOVO já escolheu
O NOVO anunciou que não apoiará a reeleição de Motta e que terá candidato próprio. Veja em NOVO contra Hugo Motta: partido anuncia candidato próprio na Câmara. A posição reforçou o debate sobre a independência da oposição, mas não é possível afirmar que ela tenha provocado a resistência dentro do PL.
OPINIÃO
Há duas estratégias. Uma é negociar espaços no comando da Câmara para ter influência sobre comissões e votações. A outra é priorizar a independência, mesmo perdendo posições relevantes. Ocupar espaços não é, por si só, trair a oposição: uma comissão bem presidida também fiscaliza o governo. Mas acordos cobram seu preço e podem amarrar a atuação parlamentar. O eleitor de direita votou esperando oposição a Lula e a seus aliados no Congresso. Cabe ao PL explicar quais compromissos aceita assumir e quais limites não vai ultrapassar. A pergunta que fica: até que ponto cargos e influência compensam o desgaste de se aproximar de Hugo Motta? A resposta virá das negociações e, sobretudo, dos votos dos deputados no plenário. Vamos endireitar o Brasil.
Perguntas frequentes
Quando é a eleição para presidente da Câmara?
Em 1º de fevereiro de 2027, com voto secreto. São necessários 257 dos 513 votos.
O PL já decidiu se apoia Hugo Motta?
Não. A bancada se reuniu na terça-feira (3) com Valdemar Costa Neto, mas não anunciou posição até a publicação desta coluna.
Por que as comissões pesam na decisão?
Pelo regimento, a escolha das comissões segue o tamanho dos blocos formados na posse. Fora do bloco de Motta, o PL escolheria depois e poderia perder colegiados como a CCJ.
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Sobre o autor: Emílio Kerber, jornalista e escritor. Coluna em notas a partir de texto enviado pelo autor em 04/11/2026; fatos conferidos pela Redação em fontes oficiais e em declarações públicas.

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